Quinta-feira, 25 de Março de 2004

REVIEW: BEYOND GOOD & EVIL

beyondgoodeevil.jpg

REVIEW: BEYOND GOOD & EVIL (PS2/XBOX/GC/PC)


Anos atrás, um programador francês de nome Michel Ancel presenteou-nos com um jogo de plataformas que se viria a tornar algo de um “hit” underground, e mais tarde viria a alcançar fama moderada junto do grande público: Rayman.
Este jogo de plataformas seguia muitos dos dogmas do género, mas inovava em bastantes aspectos, e, sobretudo, do princípio ao fim, era uma obra de apresentação e qualidade técnica intocável.

Assim se construiu, equilibrando cuidadosamente a inovação com o tradicionalismo, uma série de culto, e um testamento de que a genialidade nem sempre provem das grandes produtoras nipónicas. Agora, bastante tempo depois, a mesma formula foi utilizada para criar uma nova “lenda”...

Uma guerra inevitável?

Sem querer dar muito do argumento do jogo, digo que este se passa num planeta que se encontra em guerra com uma raça alienígena, e como tal se encontra quase sob lei marcial, mantida por uma misteriosa facção do exercito, as Alpha Sections.
Nós fazemos o papel de Jade, uma repórter fotógrafa que, entre outras coisas, tenta descobrir mais sobre a guerra... e acaba por descobrir que nem tudo é o que parece. Muitas surpresas e emoção aguardam Jade e os seus hilariantes e habilidosos companheiros, ao longo de uma excelente trama, que peca apenas por ser demasiado curta.

Um mundo e não um jogo

Muitos jogos tentam conjugar vários tipos de jogabilidade, mas de todos os que joguei, nenhum o conseguiu tão eficientemente como este. O cerne do jogo é uma aventura na terceira pessoa em que com tanta facilidade estamos a combater, interagir com outros personagens ou tirar fotos na 1ª pessoa. Tudo se faz com uma incrível fluidez e uma excelente interface, e a minha única critica neste ponto é a interface de utilização de itens, que se pode revelar um pouco inconveniente em combates de maior tensão, em que tentamos seleccionar um power-up menor e acabamos por utilizar um que recupera a totalidade da nossa energia.

A jogabilidade nestas secções tanto passa por resolver puzzles como por combates, e em ambas as situações podemos utilizar um botão contextual para dar uma ordem simples ao nosso companheiro.

O combate é incrivelmente intuitivo e muito belo de se ver, com um simples botão de ataque, um botão de esquivo, e o manípulo analógico para, conjugado com estes, providenciar golpes e esquivos em qualquer direcção. Embora simples, o combate é divertido e dificilmente repetitivo, visto que mais do que lutar, neste jogo andaremos em modo “stealth”, a tentar passar despercebidos e arranjar fotos importantes para as nossas reportagens. Esta é outra das falhas menores do jogo: as partes furtivas, embora muito bem conseguidas, por vezes deixam a sensação de que ocupam uma percentagem excessiva do tempo de jogo.

A condução de veículos representa uma porção menor do jogo, mas importante, e a transição das secções de aventura para condução não se notam de todo, tal é a facilidade e intuitividade de controlo. Mais uma vez, aqui também é possível passar para uma perspectiva de 1ª pessoa e fotografar aquilo que for necessário, ou que simplesmente nos apeteça.

Um “comic” em movimento

Tecnicamente, este não será o jogo mais belo ou com melhor som que passou pelas nossas consolas, mas não deixa de estar muito acima da média.
O mundo de jogo é muito colorido e vibrante, exibe orgulhosamente um estilo tão “comic book”, tão francês, que dá gosto.

As personagens são todas soberbamente caracterizadas, tanto estética como foneticamente, existindo as mais variadas e dispares raças, todas com um “look” muito “cartoon”, e os cenários não lhes ficam atrás, verdadeiras obras de arte tanto a nível estrutural como visual. O mundo é extremamente dinâmico e é um verdadeiro gosto para os olhos estar a navegar pelas ondas do oceano enquanto assistimos a um belo pôr-do-sol.

Nos combates somos brindados com belos movimentos muito fluidos e óptimos efeitos especiais. Especial destaque para a banda sonora, uma verdadeira obra-prima da música nos videojogos, com várias melodias que não nos sairão facilmente da cabeça. Concluindo, na vertente técnica, este jogo é uma obra muitíssimo polida e sem falhas a apontar.

Comentários finais:

Beyond Good & Evil é um jogo criminosamente ignorado. Está aqui a perfeita mistura de tradicionalismo, originalidade e variedade que os jogadores tanto pedem, e sendo assim, é um triste testamento à hipocrisia o facto do jogo ter estado a ser um sucesso “undreground”, muito como o primeiro capítulo da anterior obra de Ancel, Rayman. Pessoalmente, espero que, como este, consiga inserir-se no mercado pouco a pouco, pois é disto que o mundo dos videojogos precisa. É triste pensar que, se este fosse um jogo com o nome “Miyamoto” ou “Nintendo” por baixo, seria imediatamente aclamado como um sucesso mundial, mas que assim como está... luta pela sobrevivência.

Não que o jogo não tenha as suas falhas: é manifestamente curto, e não há muito em termos de desafio para um jogador mais experiente. Por vezes um puzzle ou outro pode obrigar-nos a uma volta mais prolongada pelo nível até que percebamos como o resolver, mas não passa daí. E os mini-jogos e “side-quests”, embora interessantes e divertidos, são igualmente fáceis.

Mas, no final, este é um jogo que nos diverte como poucos, com a sua inteligência, variedade, e resmas de personalidade. Depois de um fim-de-semana agarrado a ele, a explorar todos os seus cantos e recantos, não tenho duvidas: o futuro dos videojogos passa por aqui.


Review by Ashura

publicado por hogwart às 08:47
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