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GAMERS PARADISE

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REVIEW: SUIKODEN III

hogwart, 26.03.04

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REVIEW: SUIKODEN III (PS2)


A série Suikoden sempre teve uma história comercial atribulada. O seu primeiro episódio foi, a par com Vandal Hearts, também da Konami, um dos primeiros RPGs existentes para a Playstation no Ocidente, e, como tal, é hoje uma raridade, que atinge elevados preços na Ebay, tal como o seu sucessor, Suikoden II, cuja produção foi rapidamente descontinuada após o lançamento.

Nesta geração, por razões que nunca ficaram muito bem definidas, o 3º episódio nunca viu a luz do dia na Europa, sendo a importação a única opção de se jogar a este RPG deste lado do atlântico. E é uma pena que assim seja, pois estamos perante um exemplo de um excelente RPG feito “by the book”.

Um mundo gigantesco

Ao invés de, como é costume nas séries de RPGs, os jogos se passarem em mundos diferentes, ou em épocas muito distantes, Suikoden opta por uma aproximação mais realista: os jogos são espaçados por curtos períodos de tempo (neste caso em concreto, passou-se pouco mais de uma década desde os acontecimentos de Suikoden II), mas a acção está restrita a uma (gigantesca) área geográfica.

Ou seja, se o primeiro Suikoden se desenrolou no Scarlet Moon Empire e territórios circundantes, e o Suikoden II se desenrolou directamente a Norte, em redor do gigantesco lago que era ladeado pelas várias cidades da Confederação de Jonstown, este Suikoden III desenrola-se entre a Federação de Zexen, as Grasslands, e o Reino Sagrado de Harmonia, situados a norte e oeste da supracitada Confederação.

Para quem jogou os jogos anteriores, isto contribui para uma sensação de realismo e localização única num videojogo, pois temos mesmo a noção das coisas que se passaram e passam nos territórios vizinhos. Mas, ainda melhor, fãs dos jogos anteriores podem contar com a aparição de velhos conhecidos, nesta altura já veteranos endurecidos, ou até mesmo descendentes de algumas personagens carismáticas dos anteriores. Por exemplo, um dos três protagonistas é o filho de uma das vilãs de Suikoden II.

As três facções

Como foi referido acima, o jogo passa-se numa área geográfica compreendida entre 3 potências: a nação mercantil de Zexen, as selvagens Grasslands, e Harmonia, o reino sagrado. As tensões político-sociais são muitas, e ajudam o argumento a desenvolver de uma forma magistral.

Um dos pontos fortes do jogo é que não existe um, mas sim três protagonistas, cada um dos quais terá os seus próprios aliados, e cada um pertencente a uma das facções supracitadas. Assim sendo, este jogo é muito mais profundo do que a típica luta do bem contra o mal, dando-nos uma perfeita compreensão dos três pontos de vista, e assim quebrando a linearidade do argumento.


Como é típico na série, a dada altura poderemos ter acesso ao nosso próprio Castelo, e formar um exército composto por até 108 personagens, as ditas “108 Estrelas do Destino”. O mais impressionante é que não se tratam, na sua maioria, de personagens genéricas, sendo cheias de personalidade, e no caso de muitas, com mini-quests e diálogos muito próprios, especialmente no que toca aos vários sub-jogos e eventos que se podem realizar no castelo.

O combate

É claro que o que foi dito acima chega para os alicerces de um bom RPG, mas um bom sistema de combate também é um elemento fundamental. Aqui, Suikoden III apresenta-nos três variedades muito próprias, com graus variados de sucesso.

As batalhas típicas dão-se por um sistema de turnos, em que damos ordens aos nossos personagens antes de iniciar o turno, e ao longo do turno eles cumprem-nas por ordem de velocidade. De notar que o cenário e as personagens são apresentadas em 3D, e é necessário uma personagem percorrer a distância até ao inimigo para o atacar, o que influência a velocidade e sucesso de um ataque. De forma semelhante, o tempo de espera para realização de uma magia de nível mais elevado pode estender-se por mais de um turno. Numa agradável fuga à rotina, aqui os combates dão-se por pares, ou seja, uma equipa pode ser constituída por um máximo de 6 elementos, 3 pares, e não damos ordens a elementos individuais, mas sim ao par, pelo que, se indicarmos a uma personagem para atacar, o seu par também atacará, mas se lhe dissermos para fazer uma magia, o seu par fará o melhor possível para a defender e evitar que a magia seja interrompida.
Este sistema é interessante e de crescente complexidade estratégica, mas de início pode ser monótono, em virtude da lentidão das primeiras batalhas.

Depois temos a vertente estratégica, que representa batalhas entre exércitos. Aqui, temos várias equipas à disposição, num tabuleiro estratégico na senda de “Risco”, e é crucial que as posicionemos da melhor forma possível, pois embora quando duas unidades se encontrem, passemos a uma perspectiva de batalha típica, não temos controlo directo sobre elas, podendo apenas ordenar ás unidades para Atacar, Defender, ou Fugir. A parte estratégica é muito interessante, mas o pouco controlo sobre as unidades em batalha, associado a uma fraca Ia, torna alguns confrontos desnecessariamente frustrantes, e é portanto um dos pontos mais fracos do jogo.

Algumas batalhas são os chamados “Duelos”, combates de um para um em que temos 3 comandos à disposição, Atacar, Defender e Deathblow, ou seja, uma versão bélica do tradicional “pedra, papel, tesoura”, em que temos de inferir o movimento do adversário pelas suas falas. Este tipo de combates é o mais raro dos três, o que é uma pena pois acaba por ser bastante divertido.

Uma apresentação impecável

Não rivalizando em termos de detalhes com produções actuais, Suikoden III opta por um estilo gráfico mais minimalista, mais “anime”, com muito bons resultados.

Os cenários não são tão detalhados como, por exemplo, os de FFX, mas são extremamente cuidados, com um mínimo de flicker, e muito bem realizados e construídos, sendo muito agradáveis ao olhar e proporcionando um excelente ambiente, com cidades cheias de pessoas e com uma sonoridade a condizer.

As personagens seguem o mesmo esquema: um agradável intermédio entre simples modelos 3D e uma pitada “cell-shading”, as suas feições são extremamente simples mas agradáveis, e as suas roupas e equipamento estão muito bem representados.

Já nas batalhas não se pode dizer o mesmo, infelizmente. As personagens são de igual qualidade, mas os seus poderes e magias, salvo excepções de magias de alto nível (estas verdadeiramente espantosas), são bastante banais e desinspiradas.

Por ultimo, uma referência especial para a banda sonora, muito variada e agradável, que já teve mesmo direito ao lançamento em CD tanto em formato original como de vários remixes Célticos, disponíveis em terras Nipónicas.

Comentários Finais:

A maior falha de Suikoden enquanto RPG é um fraco sistema de desenvolvimento de personagens, que se resume a usar experiência ganha em batalhas para “comprar” habilidades em áreas de treino especializadas. O facto de cada personagem poder ter ou não jeito para dada habilidade deveria encorajar variedade, mas acaba por retirar a dita liberdade que este sistema daria. Ainda assim, com 108 personagens e a variedade de ataques especiais possíveis combinando-as, este parece ser um mal menor.

Resta-nos um RPG muito bom, que, aparte uma ou duas ideias inovadoras, segue à risca e com sucesso a fórmula típica do género. O jogo cativa-nos desde o princípio com a sua linda introdução em anime, e agarra-nos do princípio ao fim com o seu esplêndido argumento contado pelos olhos de três pessoas muito diferentes, mas igualmente excepcionais e mais algumas personagens “secretas”...

Se gostam de RPGs, mesmo que não tenham jogado os episódios anteriores, esta é uma importação a ter em muita consideração. Se jogaram os anteriores, então é mais que garantido que este jogo é essencial na vossa colecção... e se tiverem os saves dos jogos antigos à mão, podem importá-los para ter algumas surpresas.


Review by Ashura 

















































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